A cesta de produtos comprada pelos mais pobres está mais parecida com a cesta consumida pela classe média, aponta o instituto de pesquisa Kantar WorldPanel. A pesquisa monitorou somente o desembolso das famílias com alimentação, bebidas, produtos de higiene e limpeza.
De acordo com a Kantar, as classes D e E --com renda média familiar de R$ 900-- passaram a consumir 37 tipos de produtos ao mês em 2009, ante 34 em 2008. Os itens incluídos foram leite em pó e tempero, além de cremes e loções. A classe C, em que as famílias ganham em média R$ 1.500 ao mês, consumiram mensalmente 38 categorias, número igual ao registrado no ano anterior. Já as classes A/B, que consideram os que têm renda mensal média de R$ 3.000, compraram 42 categorias --em 2008, eram 41 tipos de mercadorias.
Fátima Merlin, diretora de varejo da Kantar WorldPanel, afirma que, apesar da aproximação da variedade de produtos comprados, o perfil das compras é diferente, variando marca e número de unidades adquiridas.
Já o baiano André Torreta, com experiência de quinze anos de estudos e projetos desenvolvidos junto às Classes C, D e E, afirma que as empresas conhecem muito pouco o mundo em que essas pessoas vivem. E que essa falta de conhecimento pode esconder oportunidades.
Para Torreta, a grande mudança no consumo na base da pirâmide é a migração para outras famílias de produtos, o que decorreu da maior renda. Por exemplo: ela está deixando de consumir extrato de tomate para consumir molho de tomate, deixando de consumir suco em pó para consumir suco pronto. Cada vez que sobe a renda assistimos a mudanças de hábitos de compra.
Esse novo consumidor também está muito mais exigente. Nos supermercados ele exige empacotadores, não gosta de pegar filas e de ser mal atendido. Ele quer o mesmo tratamento daqueles que vivem no topo da pirâmide.
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